Volta às aulas: dicas além do álcool gel

Aqui você encontra um guia completo do que escola, pais, mães e crianças podem fazer para evitar o risco de contágio na escola.

Se você quer um resumo, você pode acessar vídeos nesta playlist do Youtube.

O  QUE VOCÊ JÁ SABE 

Há todo um protocolo detalhado, pelas secretarias municipais para a retomada das aulas, que recomenda:

  • o distanciamento de 1,5m entre os alunos, principalmente nas salas de aula (não é obrigatório para a educação infantil);
  • álcool gel em todos os ambientes, sempre acessível; horários de entrada, saída e intervalos escalonados para evitar aglomeração;
  • manter portas e janelas sempre abertas para ventilar o ambiente e evitar a necessidade de tocar nas maçanetas;
  •  a aferição da temperatura na chegada ao ambiente escolar.

O QUE A ESCOLA AINDA PODE FAZER

Outras medidas que as escolas podem tomar, e muitas já vem adotando:

  • colocação de cartazes orientando lavagem de mãos,
  •  tapetes sanitizantes,
  • demarcação no chão para auxiliar as crianças a saberem qual seu espaço para brincar,
  • divisórias de acrílico nos refeitórios,

Detalhe:

As equipes pedagógica e de apoio devem ser treinadas para se autoavaliarem diariamente e só se apresentarem para o trabalho se não estiverem com sintomas ou em risco de terem se contaminado. E, claro, evitarem ao máximo situações de risco de contágio também fora da escola.

E OS PEQUENOS?

A educação infantil é um desafio à parte. Nesta fase, a criança demanda mais atenção e auxílio mesmo para tarefas mais simples, fazendo com que os educadores precisem estar sempre mais próximos, quando não em contato físico direto com o aluno. E é a idade em que eles mais precisam dessa interação com seus pares da mesma faixa etária para o aprendizado sócio-emocional, da empatia, do compartilhamento, do brincar junto, fator que os coloca em maior risco de adoecerem ou de transmitir agentes infecciosos, mas quando se trata do novo Coronavírus, eles têm menor risco tanto de contrair como de transmiti-lo.

As crianças menores de 10 anos também têm menor risco de apresentarem quadros moderados a grave pelo COVID-19, exceto se pertencerem aos grupos de risco. Reforço também a importância de deixar as vacinas sempre em dia, sem atraso entre as doses necessárias, pensando na prevenção de  outras doenças graves que podem ser evitadas através das vacinas. 

Veja se as vacinas estão em dia, aqui.

| EM SALA DE AULA

As rotinas pedagógicas também tiveram que ser adaptadas, por exemplo na escola Eduque, não há mais troca de materiais entre alunos, as brincadeiras de toque foram trocadas por outras que possam ser realizadas mantendo o distanciamento social, assim como a prática das atividades físicas.

Tem troca frequente das máscaras de forma adequada e segura sempre precedidas e finalizadas com a higiene das mãos, que virou outro item do programa que os ensina a forma adequada de lavá-las. Além disso, as educadoras precisarão encontrar outras formas de mostrar às crianças que não precisam abraçar o amigo para mostrar seu carinho por ele, como mandar abraços e beijos de longe, cumprimentar usando os cotovelos ou encostando os pés.

COMO OS PAIS PODEM PREPARAR AS CRIANÇAS PRA ESSE NOVO DIA A DIA?

Entre os cuidados:

  • Ir acostumando a criança a permanecer de máscara por tempo prolongado já dentro de casa para que consigam fazer o mesmo durante o período na escola.
  • Lembrá-los de que o lanche é individual, não deve ser compartilhado.
  • Alertá-los diariamente (a repetição é necessária para todas as idades) sobre o distanciamento: Não abraçar colegas, por exemplo, e oferecer uma alternativa para essa interação que seja segura e consiga satisfazer essa ansiedade que acabam tendo com relação ao toque, uma sugestão seria o cumprimento com os cotovelos.
  • Enviar máscaras para a troca. Calcular uma a cada duas horas ou toda vez que ficar úmida, pois dependendo da idade, ainda não controlam bem sua salivação ou até inventam de brincar de ficar encostando a língua por dentro da máscara. Ter máscaras sobressalentes é sempre importante.
  • Reforçar sobre a nova etiqueta social em que tossir ou espirrar é sempre nos cotovelos e não nas mãos, e mesmo de máscara evitar fazer na direção dos outros. Lembrando que se já estiver tendo tosses ou espirros em casa, não deve sair de casa, qualquer sintoma sugestivo de resfriado, mesmo em indivíduos que sabidamente tenham rinite, devem ficar em reclusão domiciliar até resolução de seus sintomas.
  • Sempre que possível, levar uma garrafa de água individual ou ter o seu próprio copo, não beber diretamente de bebedouros comunitários.
  • Uso do álcool em gel/ lavagem das mãos antes e após a troca das máscaras
  • Manter a criança em casa sempre que estiver com sintomas sugestivos de resfriados/síndromes gripais como: febre, tosse, coriza, manchas pelo corpo ou em caso de contato com outras pessoas que testaram positivo,  até liberação do médico responsável pelo acompanhamento da criança.

E ao chegar em casa?

  • Trocar de roupa ao chegar em casa e lavar as mãos em seguida
  • Retirar os sapatos antes de entrar em sua casa.
  • Higienize os materiais que voltaram da escola e não serão descartados.

 Vale lembrar: 

A quarentena fez com que muitas famílias perdessem suas rotinas e horários ao tentarem conciliar o home-office e as aulas online das crianças, além das tarefas domésticas, nosso sistema imune, que é a nossa de defesa, sofre com tudo isso.

Dormir e acordar tarde, comer fora de horário e desbalanceado nos deixa mais suscetíveis a doenças, impacto que sentiremos quando voltarmos a nos expor a ambientes coletivos, como nas aulas presenciais. Por isso, pode ser interessante passar por uma consulta com seu pediatra para avaliar todos esses aspectos e ver a necessidade de medidas mais individualizadas.

Aliás, passar no pediatra e oftalmologista antes da volta às aulas é uma dica que as escolas dão todos os anos, com ou sem pandemia. 

Crianças estão muito mais abertas às mudanças do que os adultos e possuem uma facilidade muito maior para se adaptarem a essa nova forma encontrada para poderem frequentar as aulas. Rapidamente aceitarão as novas regras, pois são elas que tornam possível o reencontro com amigos tão queridos e a brincadeira com outras crianças, trazendo de volta um pouco da antiga normalidade.

Cabe a nós adultos também nos conscientizarmos de que somente com o esforço coletivo e a preocupação com o próximo conseguiremos fazer da escola um ambiente seguro.

 

Dra Márcia Iwashita – Pediatra e Imunologista|  CRM 120.139