Fimose na infância: mensagem aos pais

Meu filho tem fimose? O que devo fazer? Será que ele precisa de cirurgia?

Essas dúvidas são frequentes no dia a dia das mamães e papais de meninos, principalmente os de “primeira viagem”.

A primeira coisa para saber é que somente 4% dos recém nascidos apresentam o prepúcio totalmente retrátil e nem por isso todos irão necessitar de correção cirúrgica. Aos 6 meses, a retratilidade é de apenas 20%. Pelo quinto ano de vida, o prepúcio apresenta-se retrátil em até 90% dos meninos.

Mas afinal, o que é fimose?

Fimose é o estreitamento da pele que impossibilita a exposição e visualização da glande.

A fimose é considerada fisiológica (em média até 3 anos de idade) e muitas vezes tem resolução espontânea.

Além disso, existem graus diferentes de fimose, desde formas leves (onde se forma um anel estreitado ao redor do pênis) até mais severas, em que não é possível visualizar nem parcialmente a glande.

 O que causa a Fimose?

A causa mais comum para que uma criança tenha fimose são as assaduras ou dermatites amoniacais, resultantes da própria urina, que podem causar cicatrizes, retraindo a pele e tornando o anel do prepúcio mais estreito.

Também existem casos em que os pais forçam a pele do prepúcio para eliminar a fimose (“massagem”), causando efeito exatamente contrário, ocasionando microtraumatismos que, quando cicatrizam, fazem o anel ficar mais estreito provocando a fimose.

A partir de qual idade devo me preocupar?

Desde o nascimento do bebê, a limpeza local do pênis deve ser realizada diariamente no banho, com água e sabonete para evitar inflamações (balanopostite) e infecções da região.

Não há indicação de realizar a retração forçada da pele do prepúcio com a intenção de “abrir a fimose”.

Aos poucos, com o manuseio local, a pele vai “cedendo” e tende a abrir com o tempo. Nos casos em que a pele não cede em média até 3 anos de idade, pode ser necessária a avaliação de um especialista.

Acolamento, fimose ou excesso de pele?

Bastante confundida com fimose pelos pais e até mesmo pelos pediatras, o acolamento ou aderência balano prepucial ocorre quando o prepúcio não abre totalmente por estar grudado na ponta do pênis e não devido ao estreitamento da pele como na fimose. Apesar de se tratar de condições diferentes, podem existir ao mesmo tempo.

Quase todos os meninos nascem com essas aderências e o descolamento ocorre de forma natural na maioria dos casos, com higiene diária e manipulação do pênis. Não estão indicadas tentativas forçadas de descolamento da pele, pois, além de muito dolorosas, podem machucar.

O excesso de pele também é uma queixa frequente dos pais. Nessa situação o prepúcio ultrapassa em muito a extensão do pênis, se tornando redundante. Pode ocorrer isolado ou associado à fimose. Quando isolado, não há indicação médica formal para tratamento cirúrgico, apesar de o problema tornar mais difícil a higiene e apresentar componente estético e, algumas vezes, cultural.

Qual o melhor tratamento?

Cada caso deve ser avaliado individualmente quanto à necessidade de tratamento clínico com pomadas específicas ou tratamento cirúrgico.

Crianças que apresentam infecções urinárias de repetição, complicações como balanopostite de repetição e parafimose têm indicação cirúrgica.

O melhor tratamento é o acompanhamento com o Pediatra que poderá passar as orientações e se julgar necessário, indicará uma avaliação com o especialista.

Por quê a cirurgia é indicada nos casos de Fimose?

Nos casos em que o descolamento natural do pênis não ocorre, indica-se a cirurgia, pois a persistência da fimose pode prejudicar a higiene local (podendo inclusive a longo prazo causar doenças relacionadas ao HPV, como câncer de pênis), pode causar infecções de repetição (balanopostites), pode trazer problemas na vida sexual (dor por conta do estreitamento da pele) e pode evoluir com parafimose (impossibilidade de retornar a pele para sua posição habitual depois de uma retração forçada, resultando na compressão da glande, que fica “presa”).

Como é feita a cirurgia?

A cirurgia da fimose, conhecida como “Postectomia”, nada mais é do que a retirada do excesso de pele do prepúcio que está impedindo a retração da pele e visualização da glande.

Pode ser realizada com a colocação de um “anel”, também conhecido como “plastibell”, ou da sua forma clássica, com pontos.

A escolha da técnica a ser empregada depende da experiência e preferência do cirurgião.

Trata-se de uma cirurgia simples, em geral realizada em regime ambulatorial, com internação breve.

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