Depressão pós-parto paterna: isso existe?

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Apesar de a depressão pós-parto materna ainda não ser tão popularmente compreendida quanto deveria, é fato que a depressão pós-parto paterna é uma incógnita ainda maior. Muitas pessoas, inclusive, nem sequer sabem que ela existe.

O que é a depressão pós-parto paterna?

Ao se tornar pai, um homem não passa pelas mesmas mudanças físicas e fisiológicas que a mulher enfrenta ao longo da gravidez e durante o puerpério. Contudo, a sua saúde mental pode ficar tão fragilizada quanto a da mãe.

E o que isso significa? Sintomas como tristeza e desesperança, tão comuns em quadros de depressão, afetam a rotina do homem. 

Estudos sobre a depressão pós-parto paterna apontam para uma certa frequência nesses casos: ao longo do primeiro ano de vida do bebê, a incidência de pais enfrentando esse problema ultrapassa os 8%.

O que explica a depressão pós-parto paterna?

Aqui, os motivos podem ser variados. Afinal, somos todos seres humanos diferentes uns dos outros, certo?

Para alguns pais, especialmente os de primeira viagem, acaba sendo custoso absorver essa nova realidade. Para outros, no entanto, o desconhecimento sobre como lidar com os sentimentos da mulher pode ser um agravante. O que é, inclusive, perfeitamente compreensível: dentro de uma relação, as condições psicológicas do outro irão, sem dúvidas, nos afetar também.

Além disso, quando um bebê nasce, ele demanda muito de nosso tempo. Por causa disso, principalmente ao longo dos primeiros anos, tirar um tempinho para cuidar de si próprio e da relação com a mãe da criança pode parecer uma tarefa impossível. Por consequência, temos em jogo muito estresse, frustração e cansaço.

Quais os sintomas da depressão pós-parto paterna?

Eu sei, resumir os possíveis sentimentos de alguém em situação de depressão pós-parto paterna em “estresse, frustração e cansaço” é muito vago. Por isso, eu trouxe uma lista de sintomas que podem indicar a existência desse quadro:

  • Desejo de se afastar do lar;
  • Trabalhar em excesso para se manter desconectado da família;
  • Agressividade;
  • Atitudes impulsivas;
  • Automutilação.

Além destas, algumas outras, mais comuns em casos gerais de depressão, também podem ser observadas:

Por que é importante falarmos sobre depressão pós-parto paterna?

Que a depressão pós-parto paterna impacta negativamente a saúde do pai, você já compreendeu. Contudo, há ainda outras consequências, como os danos na saúde mental da família e até no desenvolvimento da criança. Tudo isso, quando colocados juntos, configuram essa depressão como uma questão de saúde pública.

Para te ajudar a compreender, vou começar pelos prejuízos que acontecem na relação: considerando os sintomas listados, como você imagina que fica a vida íntima do casal? Tanto estresse e sentimentos negativos acumulados explodem hora ou outra, geralmente em forma de discussões, rudeza e agressividade – estas, por sua vez, muitas vezes levam os parceiros à separação.

Ao estar exposto a um ambiente assim, o bebê, por mais que ainda não consiga racionalizar essa dinâmica, pode sofrer os seus efeitos.

Os mesmos estudos apontam, por exemplo, que crianças envolvidas nessa situação poderão ter episódios mais longos de choro, ou dificuldade para dormir. Ademais, também estão muito mais passíveis de sofrerem mais dificuldades para aprender a se relacionar, ou para se alimentar.

A longo prazo, elas terão muito mais predisposição para distúrbios psicológicos – o que, em palavras mais simples, aumenta suas chances de desenvolver depressão, ou de apresentar tendências suicidas. 

Entretanto, enquanto esse assunto continuar soando como um mistério para muitos ouvidos por aí, teremos pais deprimidos, sem saber que seus problemas têm nome e podem, sim, ser tratados. Todos nós podemos viver uma vida bem vivida.

Em resumo, a depressão pós-parto paterna é uma questão de cuidar da família. Eu, por exemplo, sempre repito que acredito no poder de um ambiente de alterar os nossos genes. Ou seja: nossos hábitos e nossos sentimentos mudam o ambiente ao nosso redor, assim como o ambiente muda os nossos também. 

No que diz respeito a um recém-nascido, é comum que acreditemos na responsabilidade unilateral sobre essa criança: que só a mãe deve zelar pela sua saúde. Porém, todos os cuidadores diretos do bebê são parte desse vínculo e, dessa forma, devem não somente participar ativamente da sua rotina, mas também não descuidar de si próprios.

Se um pai está enfrentando um quadro depressivo, é improvável que o núcleo familiar se mantenha saudável e feliz, como deve ser. No fim, o homem que, nessa situação, se esforça para cuidar de si próprio, também está cuidando das pessoas que ama.

Existe tratamento?

Existe, sim! Como eu disse, toda essa situação tem nome: depressão pós-parto paterna. E como lidar com os sentimentos ruins se torna muito mais fácil quando sabemos nomeá-los, não acha?

Quem passa por isso não está sozinho. Por isso, eu recomendo que um recém-pai, seja de primeira viagem ou não, esteja atento às próprias emoções, para ter a chance de buscar ajuda especializada nos primeiros sinais de tristeza.

Se identificou com os sintomas que eu listei nesse artigo? Então, eu abro as portas da Casa Crescer para você: se precisar de ajuda, aqui você será amplamente acolhido!

Dra. Renata Scatena

Médica Integrativa Familiar

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