Criptorquidismo

O que é Criptorquidismo?

Termo genérico que compreende todas as anormalidades que causam escroto vazio.

Ocorre em aproximadamente 3% dos recém – nascidos do sexo masculino nascidos a termo e 33% dos prematuros.

Durante a formação do embrião, o testículo é formado dentro do abdômen, próximo ao rim, e conforme o seu desenvolvimento, percorre um trajeto ao longo do canal inguinal até chegar ao escroto. Quando ocorre alguma falha neste processo, o testículo que não se encontra dentro da bolsa escrotal pode estar em qualquer topografia de sua descida, até mesmo intra-abdominal.

Situações possíveis de “bolsa testicular vazia”:

Prematuridade – os testículos não tiveram tempo de descer, mas o problema pode ser resolvido espontaneamente nos primeiros meses de vida.

Criptorquidia – testículo não palpável, podendo encontrar-se dentro da cavidade abdominal ou não existir.

Testículo ectópico – testículo fora do seu trajeto normal de descida (raiz da coxa, períneo, pênis, virilha, no outro lado da bolsa testicular).

Testículo retido – testículo que ao longo da sua descida para a bolsa escrotal permaneceu retido em algum ponto do seu trajeto.

Testículo retrátil – testículo já descido, que se encontra ora na região inguinal, ora na região escrotal. Na puberdade, o testículo se torna maior e mais pesado atingindo definitivamente sua posição habitual. Em geral, não necessita de tratamento cirúrgico.

Monorquia – ausência de um testículo, seja por não formação embriológica ou por torção intra-uterina ou perinatal.

Anorquia – ausência de ambos os testículos.

Como é feito o diagnóstico?

Em geral o diagnóstico é feito pelos pais da criança ou pelo pediatra ao notarem a bolsa escrotal da criança vazia em algum momento, ou sempre vazia.

A avaliação de um especialista (Cirurgião Pediátrico) está indicada nesses casos para que o melhor tratamento seja instituído.

Complicações da Criptorquidia

Infertilidade. O testículo escrotal é mantido a uma temperatura de 33oC, comparado a 34-35 oC da região inguinal e 37 oC da região abdominal. Com o aumento da temperatura o testículo sofre alterações progressivas, podendo resultar em infertilidade.

– Associação com hérnia inguinal. A falha na migração do testículo é associada ao maior risco de ocorrência de hérnia inguinal. Nesses casos, a cirurgia deve ser realizada no momento do diagnóstico pelo risco de complicações da hérnia inguinal.

– Torção do testículo. A mobilidade do testículo na região inguinal pode predispor a sua torção.

– Trauma. Testículo localizado na região inguinal tem risco aumentado de trauma direto.

– Fatores psicológicos

– Malignidade. Pacientes com testículos fora da bolsa escrotal apresentam risco aumentado de desenvolver tumores (em torno de cinco vezes a incidência da população normal).  A correção cirúrgica (orquidopexia) não diminui o risco de desenvolvimento de tumores, mas facilita o exame e sua detecção.

Meu filho poderá ser pai?

Essa é uma das principais dúvidas e angústias dos pais dessas crianças.

Nos casos de problemas unilaterais (apenas um testículo doente), as funções do testículo não sofrem grandes alterações e, a fertilidade e síntese de hormônios, em geral, são normais.

Nos casos de doença bilateral, a fertilidade é muito prejudicada, e o tratamento deve ser o mais precoce possível (antes de 1 ano de idade) para diminuir os prejuízos.

Quando a cirurgia deve ser realizada?

A cirurgia deve ser realizada idealmente entre 6 meses e 1 ano de idade.

O objetivo principal é levar e fixar o testículo na bolsa escrotal (orquidopexia), evitando que o mesmo possa atrofiar, se tornar vulnerável a traumas e reduzir o risco de transformação para tumores, entre outros.

Em quais casos é necessário realizar cirurgia?

Nos casos em que o testículo encontra-se palpável fora do seu local habitual (bolsa escrotal), é indicada a cirurgia convencional (aberta). Consiste no posicionamento e fixação do testículo na bolsa escrotal, procedimento conhecido como “orquidopexia”.

Nos casos em que o testículo não é encontrado (testículo não palpável), é necessária a realização de uma cirurgia video-laparoscópica diagnóstica ou, em alguns casos, abordagem cirúrgica inguinal para que o cirurgião determine se o testículo existe ou não. Se o testículo for encontrado e for potencialmente viável, o cirurgião tende a levá-lo à bolsa, em geral, após uma ou duas cirurgias.

Uma vez realizadas por profissional treinado, a maioria das cirurgias em crianças com testículos não-descidos possui baixo risco de complicações.

É fundamental o seguimento dessas crianças até a puberdade, já que se trata de testículo(s) doente(s) que necessitam de acompanhamento periódico.