Como o brincar influencia na saúde

2 de fevereiro de 2019 Por Casa Crescer

Brincar é coisa séria e contribui muito para a saúde de seus filhos.

Ao brincar as crianças se expõem de maneira saudável a microorganismos do ambiente apresentando-os ao seu sistema de defesa (imune) em quantidade e situação favorável para que ele aprenda o que deve ou não tolerar, protegendo contra as alergias, e estimulando mecanismos de defesa contra doenças (sem adoecer) assim como fazem as vacinas. Além disso o estímulo motor leva a melhor expectoração das secreções respiratórias e a melhora do apetite contribuindo para prevenção de doenças.

Quando falamos de saúde em pediatria, não é somente da saúde orgânica, mas também da psicológica e social. O brincar influencia em todos esses aspectos tendo um grande impacto para o crescimento saudável.

É fácil perceber como contribui para a criatividade e o aprendizado cognitivo e motor, mas é menos óbvio como influencia no aprendizado social da criança. Ensina como se relacionar com o outro, perceber e respeitar diferenças e semelhanças, defender e compartilhar o que é seu. É uma grande ferramenta para aprender a competir, a se organizar, que existem regras, quando elas devem ser seguidas e quando podem ser quebradas.

É ainda menos evidente como contribui para a saúde psicológica. Durante o brincar a criança aprende a controlar sua ansiedade (enquanto espera pela sua vez, por exemplo), a lidar com a frustração da derrota e como se erguer para tentar de novo, como expressar empatia ao colocar-se no lugar do outro seja na dor/derrota ou na alegria/vitória, a expressar sua autonomia, a impor sua personalidade e também permitir que o outro imponha a sua. Aprende também a não ter medo do “novo”, que nessa fase é uma nova brincadeira ou um alimento diferente, mas que no futuro pode ser enfrentar uma mudança de emprego, de cidade, um novo relacionamento, etc.

Portanto soltem um pouco os tablets, celulares e video-games, mostrem ao seu filho que há como brincar em todos ambientes, como aproveitar ao máximo cada um deles, colocar o pé na grama, criar novas brincadeiras, explorar o novo e redescobrir o “velho” sem receio da sujeira, ela faz parte da brincadeira e é nossa aliada (nada que um bom sabonete não resolva). E lembrem-se de não se limitar aos dias quentes, mostre que um bom agasalho e uma calça de moletom são ótimos para brincar no frio, e como aquele ambiente conhecido se transforma com a mudança das estações permitindo novas descobertas.

 

Por Dra Márcia Toraiwa Iwashita

Pediatra com especialização em alergia e imunologia