Ansiedade: tudo o que você precisa saber sobre o assunto

Há quem a chame de mal do século. Afinal, nunca antes percebemos a ansiedade como um problema tão comum a tantas pessoas, independente da idade. 

Nos sentimos mais ansiosos, isso é fato. Entretanto, em meio a um turbilhão de novas emoções, mal sabemos delinear o que a ansiedade é.

Você já deve saber que nós acreditamos que conhecimento não é só poder, é, também, saúde. Por isso, escrevemos esse artigo: um guia definitivo sobre a ansiedade.

O que é a ansiedade?

A ansiedade é, na verdade, um termo “guarda-chuva”. Em outras palavras, ele serve para descrever várias sensações. Medo, nervosismo, preocupação e apreensão são algumas delas.

Estas sensações, aliás, são naturais para nós, seres humanos. Isso porque o nosso cérebro é “programado”, digamos assim, para emitir sinais de alerta diante de situações que representam algum perigo.

Eis um exemplo bastante comum: se imagine caminhando em uma rua escura e vazia. Você está sozinho, ou sozinha. Como você se sentiria? Neste caso, o medo é algo lógico. Afinal, o perigo pode ser real.

Sob este ponto de vista, a ansiedade é uma reação natural do nosso cérebro. Por exemplo, quem nunca sentiu frio na barriga antes de falar em público? Ou ficou bastante nervoso antes de uma entrevista de emprego? Tudo isso é normal.

Então, quando a ansiedade se torna um problema? Quando esta reação – esse medo e apreensão – se tornam muito frequentes e mais intensos. Nesse momento, o problema pode ser considerado patológico. Por consequência, pode prejudicar – e muito – a sua rotina e a sua saúde emocional.

Sintomas psicológicos

Aqui, eu vou listar alguns dos sintomas mais comuns da ansiedade. Além de identificá-los, é fundamental que você observe a frequência e a intensidade com a qual eles te acometem.

  • Medos irracionais;
  • Angústia;
  • Perda de esperança;
  • Receio de ver pessoas ou visitar lugares;
  • Inquietação;
  • Nervosismo;
  • Perfeccionismo em excesso;
  • Pensamentos obsessivos;
  • Isolamento social;
  • Preocupação exagerada;
  • Irritabilidade;
  • Sensação de perigo constante.

 

Resultado destes sintomas é a alteração da sua rotina. Afinal, o receio de ver pessoas, por exemplo, pode fazer uma pessoa ansiosa se isolar. Do mesmo modo, o nervosismo intenso pode impedir alguém de ter uma rotina saudável.

Além disso, os sintomas podem vir acompanhados de alguns pensamentos específicos. “Eu não consigo fazer isso”, “eu vou morrer” e “eu vou enlouquecer” são alguns exemplos.

Entretanto, a ansiedade não se manifesta apenas em pensamento e sensações…

Sintomas físicos

Mente e corpo estão profundamente conectados. Assim, se um não vai bem, o outro também não. Por essa razão, o físico pode sentir os efeitos da ansiedade. 

Conheça algumas consequências:

 

  • Apetite desregulado;
  • Tiques;
  • Falta de ar;
  • Alterações no sono;
  • Suor excessivo;
  • Dor de cabeça;
  • Dor no peito
  • Tensão muscular;
  • Tremores;
  • Coração acelerado;
  • Descompensação de outros distúrbios já existentes, como diabetes;
  • Ânsia de vômito;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Diarreia.

 

Se você tem esses sintomas, é porque os seus níveis de ansiedade já deixaram de ser normais. A partir deste ponto, é preciso buscar tratamento. Afinal, uma vida bem vivida é, também, resultado de uma mente saudável e tranquila.

 

E nas crianças? Elas também podem sofrer com ansiedade. Nestes casos, outros sintomas são perceptíveis – além dos citados anteriormente.

 

  • Tiques;
  • Ecolalia (repetir as falas de outras pessoas);
  • Pedir para dormir com os pais com frequência;
  • Queda do rendimento escolar;
  • Diminuição de socialização.

 

Ao notar qualquer alteração no comportamento da criança, é preciso procurar o pediatra que a acompanha. É este profissional que vai ajudar a família a identificar a mudança no seu padrão comportamental.

Além disso, ouvir a opinião de quem convive com a criança é fundamental. Às vezes, parentes, educadores e até mesmo amigos e amigas podem ter notado alguma diferença que merece atenção.

Como lidar com ela?

Lidar com a ansiedade é um processo. Antes de tudo, é preciso que você saiba que, se o tratamento for precoce, há menos chances de o transtorno se tornar algo grave. Por isso, ao notar alguns dos sintomas, procure ajuda especializada. 

São os profissionais da área da saúde, aliás, que podem te ajudar. O método mais conhecido de tratamento é a psicoterapia. As sessões, inclusive, realmente são de enorme valia. Entretanto, não é só isso.

O tratamento também pode ser uma mudança de hábitos. Ou seja, pequenas transformações operadas por você. De qualquer forma, tudo isso é definido por um profissional.

É ele, portanto, quem vai te recomendar as ações mais adequadas para o seu caso.

 

Como a psicoterapia pode te ajudar

Até aqui, você aprendeu que a ansiedade é uma reação natural do corpo, que pode ser um problema quando sai de controle. Para amenizá-la, é preciso identificar padrões e pensamentos que te deixam ansioso.

Com um psicoterapeuta, esse processo é muito mais fácil. Às vezes, sozinhos, nós mal conseguimos entender o que nos causa essa aflição. Acompanhados de um profissional, entretanto, aumentamos as nossas chances de nos tornarmos mais saudáveis mentalmente.

Afinal, na psicoterapia, você será guiado em uma jornada para dentro de si mesmo. Por consequência, vai se autoconhecer e se autodescobrir. Ao longo do tempo, vai se tornar mais capaz de lidar com os seus sintomas.

Entendeu a importância? Então, agora vamos a algumas dicas que serão suas aliadas durante o seu tratamento.

1 – Manter-se no momento presente

Em resumo, a ansiedade é um receio antecipado. O futuro, afinal – a curto ou longo prazo – pode ser assustador. Por isso, é recomendado que você se utilize de técnicas que te concentrem no presente.

Uma delas é interromper o seu fluxo de pensamentos e listar o que há ao seu redor. Uma caneta, um abajur azul, uma cortina amarela… e assim por diante. Isso vai te ajudar a voltar para o “agora”.

Para crianças, brincadeiras que incentivam a imaginação vão muito bem aqui. Contação de histórias e atividades com sucatas, por exemplo, podem ser de grande ajuda. Pintura, tinta, massinha de modelar e dança podem ser outras opções.

Outra dica sempre valiosa é o investimento em um tempo de qualidade com quem amamos. Afinal, nada nunca vai substituir o olho no olho e a interação humana de verdade.

2 – Cuidar bem do seu corpo

Mais uma vez, afirmamos: corpo saudável, mente saudável também. Por isso, não descuide da sua alimentação. Tenha uma rotina alimentar balanceada e saudável. Além disso, não se esqueça de beber água e de dormir bem. Seja na fase adulta, ou na infância, o sono precisa ser reparador. Do contrário, a ansiedade se agrava.

 Afinal, quando estamos ansiosos, é comum que descuidemos de nossas necessidades básicas.

E por falar em momentos de ansiedade, se estiver em um, evite alimentos com muito açúcar, ou a ingestão de cafeína. Estes, por sua vez, podem piorar o seu quadro.

Ademais, praticar exercícios físicos também é uma excelente ideia. Para isso, escolha algo de que você goste. Depois, pratique essa atividade regularmente, todos os dias, por pelo menos uma hora.

3 – Aprender a respirar

Lembra que a falta de ar era um dos sintomas físicos da ansiedade? Pois é, aprender a respirar corretamente pode ajudar a te manter calmo. 

Mas como é essa respiração? Vamos aprender juntos agora mesmo:

 

  • Inspire o ar, puxando-o pelo nariz e soltando pela boca;
  • É importante que você inspire por 4 segundos e expire por 6;
  • Se conseguir, segure o ar por 2 segundos;
  • Ao inspirar, absorva o ar como se tentasse estufar a barriga.

 

Se sentiu melhor após esse exercício? Além disso, essa técnica também é capaz de desacelerar os batimentos cardíacos

4 – Meditar

A neurociência já comprovou: meditar pode reduzir seu estresse. Além disso, aumenta seu foco e atenção. 

Para se aproveitar de seus benefícios, é recomendado que você medite pelo menos 5 minutos por dia. Se precisar de ajuda, há vários aplicativos de meditação guiada disponíveis.

Ao esvaziar a sua mente, você encontra mais espaço para a manter saudável.

5 – Utilizar fidget toys

Quem não ama estourar plástico bolha? Os fidget toys, por definição, são brinquedos pequenos, que cabem nas mãos. Em outras palavras, são aqueles que nós adoramos “ficar mexendo” enquanto passa o tempo, ou para desestressar.

Ultimamente, se tornaram febre entre crianças e adolescentes. Entretanto, qualquer idade pode se beneficiar deles. Além de acalmar a ansiedade, também ajuda na coordenação motora e na concentração.

6 – Cultivar bons relacionamentos

 

Mais uma vez, reforçamos a necessidade de nos relacionarmos. A ansiedade pode nos impelir a nos isolarmos. Entretanto, é inegável que somos seres sociais. Por isso, mesmo quando não estamos bem, as conexões humanas genuínas nos deixam melhores.

E lembre-se: vá além das telas dos celulares. Aliás, conexão genuína é isso: algo tangível e que existe também no mundo real.

7 – Controlar o uso de telas

 

E por falar em celulares, é preciso aprender a não depender deles. Passar horas e horas rolando diferentes feeds nos deixam ansiosos. Além disso, a vida passa, e não fazemos nada com ela. Com o tempo, essa sensação vira uma bola de neve dentro de nós.

Para crianças, a recomendação é ainda mais importante. É claro que a internet tem sua série de benefícios. Porém, para indivíduos em formação, o cuidado é indispensável.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, é indicado que, antes dos dois anos de idade, a criança não tenha contato com nenhuma tela. Isso se dá pois elas podem ter modificações funcionais em um cérebro ainda em formação.

Após essa idade, a recomendação é a seguinte:

 

  • Entre 2 e 5 anos: máximo de 1h por dia, de forma fracionada;
  • Entre 6 e 10 anos: máximo de 2h por dia, também de forma fracionada;
  • Adolescentes: entre 2h e 3h, com supervisão.

Para que isso funcione, pais e mães devem ser o exemplo. Em outras palavras, de nada adianta você tentar incentivar seus filhos a terem uma vida mais saudável, longe das telas, se os próprios adultos não seguem esse conselho.

8 – Passar mais tempo ao ar livre

 

Às vezes, pode até não parecer. Porém, o ser humano gosta da liberdade física. Ou seja, gosta do vento, da luz do sol e do ar puro. Mais do que apenas gostar: precisa disso tudo.

Por isso, procure passar mais tempo ao ar livre. Dê, portanto, ao seu corpo esse contato com a natureza. Por exemplo: passe pelo menos 15 minutos no sol todos os dias. A Vitamina D pode fazer muito pelo seu bem estar mental.

Como é feito o diagnóstico?

Os profissionais da área da saúde mental são quem farão o diagnóstico da ansiedade como patologia. Isso apenas após uma conversa bastante detalhada e profunda sobre cada caso. 

Primeiramente, você fará algumas sessões de terapia. Dessa forma, o psicoterapeuta pode te conhecer e entender os seus problemas. 

Após esse processo, o diagnóstico é possível. As formas de tratamento, ademais, também entram nessa etapa.

A ansiedade tem tratamento?

Tem, sim. Além da psicoterapia, algumas vezes são necessários medicamentos. Entretanto, tudo varia de acordo com cada caso. De qualquer forma, o primeiro passo é sempre buscar auxílio profissional.

Além disso, alguns hábitos podem ser recomendados como tratamentos:

 

  • Evitar ser multitarefas;
  • Não ruminar os problemas de forma excessiva e prestar mais atenção no lado bom das coisas;
  • Não se automedicar;
  • Reduzir o tempo no celular e evitar o seu uso durante a noite;
  • Inserir mais diversão na rotina;
  • Realizar tratamento natural de aromaterapia, com sprays para a casa ou óleo essencial, por exemplo.

Uma vida bem vivida é uma vida com ansiedade controlada

Uma pessoa ansiosa não necessariamente vai desenvolver depressão ou outra patologia do tipo. Entretanto, este transtorno pode, sim, ser a porta de entrada para agravamentos futuros. 

E mesmo que não fosse, quem não deseja levar uma vida mais tranquila e feliz, concorda? 

A ansiedade pode acometer qualquer um. Ou seja, não importa a sua idade, o contexto no qual vive ou quais são os seus gatilhos. Independente de tudo isso, você merece viver bem.

Entretanto, o primeiro passo para isso, é reconhecer que há um problema. Se você se identificou com os sintomas aqui listados, então, não hesite em buscar tratamento. 

Se você precisa de ajuda, saiba que a Casa Crescer está aqui por você. Por isso, se precisar agendar uma consulta, é só clicar aqui.