Meu Papanicolau veio alterado – vou ter câncer de útero?

4 de janeiro de 2019 Por Casa Crescer

Fazer a rotina ginecológica anual, e neste se inclui a consulta médica, o exame físico e a coleta do Papanicolau, deve fazer parte da vida de toda mulher em idade sexual ativa.

O rastreamento do câncer de colo do útero deve iniciar, idealmente, no máximo três anos após a mulher ter iniciado sua vida sexual e, caso ela não faça nenhuma cirurgia ginecológica, como histerectomia por condições benignas (por exemplo, miomatose uterina), a coleta do Papanicolau pode se encerrar aos 64 anos de idade.

Agora vamos discutir alguns resultados possíveis que você pode encontrar no seu Papanicolau e o que isso pode significar:

  • Inflamação

É um resultado completamente normal, e a paciente deve seguir a sua rotina de rastreamento.  No caso de haver alguma queixa clínica de corrimento, a paciente deve ser examinada, e o seu ginecologista deve considerar se trata a vulvovaginite com medicação. Em mulheres na pre/pós menopausa, em resultados  de exames com  “inflamação com atrofia”, pode ser prescrito creme vaginal com estriol, e então ser  recoletado o exame de Papanicolau sete dias após.

 

  • ASCUS

Esta nomenclatura refere-se a exames em que são encontradas alterações celulares que não podem ser classificadas como “normais”, porém a incidência de evolução para carcinoma de colo do útero é extremamente baixa – 0,1 a 0,2%.

A conduta diante de uma achado de exame de Papanicolau com ASCUS, é repetir o exame em 6 meses.

Em mulheres acima de 30 anos, pode-se também optar pela coleta de captura híbrida do HPV. Caso este resultado seja positivo, a mulher deve ser encaminhada direto para colposcopia. Contudo, se resultado negativo, pode-se repetir o “Papa” em 1 ano.

 

  • ASC-H

Significa “alterações celulares de significado indeterminado, não se podendo excluir lesão de alto grau”. Sua incidência para câncer varia de 1,3 a 3%. A conduta, diante deste achado citológico é colposcopia .

 

  • LIEBG (lesão intra epitelial de baixo grau)

Este resultado representa a manifestação citológica da infecção causada pelo HPV, mas também tem alto potencial de regressão espontânea, especialmente em mulheres com menos de 30 anos.

Existem duas condutas possíveis: encaminhar direto para colposcopia ou repetir este exame em 6 meses, visto que história natural do HPV para evoluir câncer de colo do útero é lenta.

 

  • LIEAG (lesão intra epitelial de alto grau)

Este resultado corresponde a aproximadamente 75% com resultados de NIC 2 ou 3 na biópsia e 1-2% de câncer de colo do útero. A conduta é colposcopia imediata.

 

Como podem perceber, os exames de Papanicolau parecem mais uma sopa de letrinhas, não é mesmo? São várias possibilidades de resultados, e cada um segue uma orientação e conduta diferentes. Por isso é tão importante realizar este acompanhamento anual (sem falhar!!!) com seu ginecologista, pois mesmo que o câncer de colo do útero seja um evento raro nos exames de Papanicolau, é um dos poucos tipos de cânceres dos quais pode ser prevenido com um exame simples e rápido de ser realizado. Vamos sempre pensar em prevenção, meninas!!!

Por Dra Isabella Ferreira – CRM 172335